Petit prince

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Capítulo XXI
E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia – disse a raposa.
- Bom dia – respondeu educadamente o pequeno príncipe, que, olhando a sua volta, nada viu.
- Eu estou aqui – disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? – perguntou o principezinho. – Tu és bem bonita...
- Sou uma raposa – disse a raposa.
- Vem brincar comigo – propôs ele. – Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo – disse a raposa. – Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa – disse o principezinho.
Mas, após refletir, acrescentou:
- Que quer dizer “cativar”?
- Tu não és daqui – disse a raposa. – Que procuras?
- Procuro os homens – disse o pequeno príncipe. – Que quer dizer “cativar”?
- Os homens – disse a raposa – têm fuzis e caçam. É assustador! Criam galinhas também. É a única coisa que fazem de interessante. Tu procuras galinhas?
- Não – disse o príncipe. – Eu procuro amigos. Que quer dizer “cativar”?
- É algo quase sempre esquecido – disse a raposa. – Significa “criar laços”...
- Criar laços?
- Exatamente – disse a raposa. – Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necessidades de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidades um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
- Começo a compreender – disse o pequeno príncipe.
- Existe uma flor... eu creio que ela me cativou...
-É possível – disse a raposa. – Vê-se tanta coisa na Terra...
- Oh! Não foi na Terra – disse o principezinho.
A raposa pareceu intrigada:
- Num outro planeta?
- Sim.
- Há caçadores nesse planeta?
- Não.
- Que bom! E galinhas?
- Também não.
- Nada é perfeito – suspirou a raposa.
Mas a raposa retomou seu raciocínio.
- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens também. E isso me incomoda um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. Os teus me chamarão para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim não vale nada. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos dourados. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará com que eu me lembre de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
A raposa calou-se e observou por muito tempo o príncipe:
- Por favor... cativa-me! – disse ela.
- Eu até gostaria – disse o principezinho -, mas não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou – disse a raposa. – Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo já pronto nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não te mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? – perguntou o pequeno príncipe.
- É preciso ser paciente – respondeu a raposa. – Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás um pouco mais perto...
No dia seguinte o príncipe voltou.
- Teria sido melhor se voltasse à mesma hora – disse a raposa. – Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz! Quanto mais a hora for chegando, mas eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade!
Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar meu coração...É preciso que haja um ritual.
- Que é um “ritual”? – perguntou o principezinho.
- É uma coisa muito esquecida também – disse a raposa.
- É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, adotam um ritual. Dançam na quinta – feira com as moças da aldeia. A quinta-feira é então o dia maravilhoso! Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem em qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu nunca teria férias!
Assim o pequeno príncipe cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ah! Eu vou chorar.
- A culpa é tua – disse o principezinho. – Eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
- Quis – disse a raposa.
- Mas tu vais chorar! Disse ele.
- Vou – disse a raposa.
- Então, não terás ganho nada!
- Terei, sim – disse a raposa – por causa da cor do trigo. Depois ela acrescentou:
- Vai rever as rosas. Assim, compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te presentearei com um segredo.
O pequeno príncipe foi rever as rosas:
- Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativaste ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu a tornei minha amiga. Agora ela é única no mundo.
E as rosas ficaram desapontadas.
- Sois belas, mas vazias – continuou ele. – Não se pode morrer por vós. Um passante qualquer sem dúvida pensaria que minha rosa se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que todas vós, pois foi ela quem eu reguei. Foi ela quem pus sob a redoma. Foi ela quem eu abriguei com o para–vento. Foi nela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi ela quem eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. Já que ela é minha rosa.
E voltou, então, à raposa:
- Adeus... – disse ele.
- Adeus... – disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos...

Tempo

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Acho injusto deixar isso aqui tanto tempo juntando poeira, mas a vida pede muito que a mente esteja mais cinza que colorida. Quero mais horas no meu dia pra poder deitar na rede ou apenas jogar conversa fora...Mas, de uma certa maneira, a menina não morreu.

Pressentimento

sábado, 3 de outubro de 2009

Tenho a impressão de escrever pras paredes...

Réplica da réplica

domingo, 27 de setembro de 2009

-Sabe seu Juca, eu nunca tinha parado pra pensar sobre o quanto de nada nos invade a cada instante. Ordens, avisos, conselhos e mais uma par de asneiras que os outros tentam nos enfiar guela a baixo todo santo minuto, achando que somos algum tipo de reservatório das besteiras deles...
-Ora Pasquim, Não venha encher meu ouvido que ele não é penico!

?

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Tereza era uma mocinha simples, daquelas de dá pena até de olhar. Tinha nos olhos uma melancolia feliz. Era tão fina que cabia em qualquer lugar que a pusessem. Falavam "Tereza, vai pra cozinha" e Tereza ia. "Senta no banquinho ali no canto" e Tereza ia. Ai menina! Vestia sempre um vestido estampado com florzinhas miúdas, rosa, azul e amarelas, encardido de tanto tempo que fazia que tinha.
Mas a noite a menina sonhava... Era ela e seu mundo. Era ela em seu mundo. Era era não sendo tudo. Era só ela.

domingo, 30 de agosto de 2009

Hoje não tem texto meu, tem lenine falando de minhas coisas:

Crença

Eu só penso em você
Depois que eu penso em mim
E eu penso tanto em nós dois
Sei que é de cada um
E acho até comum
Pensar assim de nós dois

Vai que a gente pensa igual
E acho isso normal
O igual da diferença
Cada um, todo ser
Tem sua crença

Eu só penso em você
Depois eu penso em mim
E eu me confundo em nós dois
Sei quando viramos um
E aparece um
Que se mistura em nos dois

Vem não há o que pensar
Melhor achar normal
Viver a diferença
Pensa não, deixa assim,
Que a vida pensa

Tanto por viver, tento não jogar
Pra baixo do tapete essa poeira.
Tonto de você tento não pensar besteira.

Tanto por você, para o nosso bem
Às vezes fica um com e o outro sem
Seja como for somos nós e mais ninguém

O que eu quero de você
E você quer de mim
Nós decidimos depois
Eu só penso em você
E tenho aqui pra mim
Que você pensa em nós dois

Vermelho e azul

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Aparentava ser mais um tarde ordinária. Mesmo vento, mesmos rostos, mesma sensação de que havia tomado o caminho errado em alguma curva. Mariana desceu a rua que dava naquele café, tão habitualmente repleto do vazio que consome aos tragos a alma feminina. Cheio de conversas frias e gestos gélidos, de pessoas sedentas por algum pulso de vida. São vampiros.
Mas ela parece não se importar. Parece ser daquelas mulheres que derramam sua felicidade em cima da gente. Só que hoje não. Hoje não.
Senta, pede. Demora. Expresso pra viagem. Sai a esmo. Não quer pensar em nada. Não vê nem ouve nada. Mais a frente um banco. Senta novamente. Observa o movimento da cidade. Um murmúrio abafado. Tapa os ouvidos e sua respiração parece que se funde com o centro do universo.
O café acaba e, aquela Mariana, deixa uma menininha sentada ali, sozinha num banco da tarde. Só se sabe depois da mulher que se levantara, sem deixar mais rastro algum de seus raios de sol.

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